Mês do Orgulho, Uma Faixa, e Porque é Que a Visibilidade Ainda Importa

Mister Lisbon Bear Pride
(Esquerda para a Direita, Diniz (2023), Alex (2024), Iain (2025) e Bruno (2026).

Não pensei que ia ganhar. Digo já isto à partida.

No fim de semana passado candidatei-me a Mister Lisbon Bear Pride 2026. Éramos um punhado na corrida. Entrei a dizer a mim próprio que era uma brincadeira, uma forma de dar a cara e apoiar a comunidade, nada mais. Depois saíram os votos. O título era meu.

Então é isto que sou agora. Mister Lisbon Bear Pride 2026. Ainda meio atordoado, sinceramente.

E o timing é quase perfeito demais, porque é o Mês do Orgulho.

Agora, conheço as frases cínicas do costume. O Orgulho é só marcas a ficarem arco-íris durante trinta dias. O Orgulho é uma festa. O Orgulho é gente a armar-se para a câmara. Parte disso é justa. Mas passa completamente ao lado da parte que realmente conta.

A visibilidade faz trabalho a sério. Do pesado.

Porque há pessoas LGBTQ+ em todo o lado. Em todos os setores, todas as profissões, todas as ruas. Do teu barista ao teu neurocirurgião. Somos os teus colegas. Os teus vizinhos. A tua família. Já nos conheces. Só se calhar não sabes que nos conheces.

E há mais uma coisa que ser visível faz. Ajuda-te a encontrar a tua gente. Os que são como tu. Os que entendem as dores específicas que carregas, as coisas que nunca tiveste de explicar porque já as tinham vivido. Não dás conta do quanto precisavas disso até finalmente o teres. Para muitos de nós, foi exatamente isso que a comunidade nos deu. Um sítio onde paramos de nos explicar.

O mundo dos ursos sente isto na pele. Somos uma minoria dentro de uma minoria. A comunidade LGBTQ+ em geral ainda luta para ser vista, e mesmo dentro dela, homens com o nosso aspeto nem sempre encaixavam no retrato. Por isso construímos o nosso próprio espaço, porque a cena mainstream nem sempre nos guardava um. E esse espaço importou. Ainda me importa.

O Mês do Orgulho é a única altura do ano em que tudo isto se torna alto e público. Bandeiras no ar. Conversas abertas. Pessoas que passam onze meses de cabeça baixa têm um mês em que o normal se inverte. Para um adolescente no armário algures, ou um gajo nervoso na casa dos quarenta, essa inversão pode ser tudo.

Então deixa-me dizer o que o Orgulho realmente é, já que as pessoas adoram perguntar. Temos orgulho em quem somos. É isto, simplesmente. Orgulhosos, e fartos de nos escondermos. O nosso Orgulho nunca foi um ataque a ninguém. Para quem preferia que ficássemos longe das vistas, pode parecer desafio, e talvez o problema seja deles. Mas para alguém que ainda se esconde, ainda com medo, pode ser a faísca. O empurrão que finalmente o deixa viver como é de verdade.

Então este mês vou usar a faixa, agitar a bandeira, e fazê-lo com vontade. Não como troféu. Como um sinal pequeno e teimoso de que estamos aqui, não nos vamos calar, e há um lugar guardado para a próxima pessoa que precise dele.

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